Domingo, Maio 01, 2005

Sentado, escrevo, sem nada melhor para fazer
algum lampejo, algum relampâgo
que me acorde deste adormecer

Oiço vozes vizinhas, não familiares
faço delas palavras minhas
se eu pudesse ao menos espereitar

Aqui no sossego do meu quintal
Oiço os pássaros chilrear
vizinhas a falar
no sossego deste meu quintal

Para muitos seria ilidico, quase utópico
para terem tudo o que tenho
mas o quetenho é basoco, simples singelo
não é nada de tão grande tamanho

Mas o que eu sinto, Ha, isso sim é decrépito, pobre, roto e sujo
As formas como me sinto nu mal-visto e viscoso
Ha, pois, o meu viver ocioso

Não há tinta nem lapiseira que possa por no papel
a derradeira, a derradeira e verdadeira verdade
das minhas emoções enquanto mocidade

Ainda sou novo mas com pensamentos de velho acabado sozinho e abandonado
Nada me vem salvar nem uma princesa
Nem o meu próprio respirar

Respirar este que se torna cada vez mais ofegante
ora não fosse eu adepto de fumar
e portanto, não obstante
tenho-o em mim e acabo só quando o dinheiro acabar

Cabal é este o meu sentimento
como cimento, pedra e cal
eu sinto mas não rebento
e não me acho o Tal

O Tal tem de ser forte, imponente e em controlo dos seus sentimentos
Eu procuro dentro de mim por entre teias e tormentos
...Mas não me encontro!

Para alguns de vós vou dizer parte do que tenho
é um misto de esquizofrenia com depressão
sou a ovelha negra de um rebalho
dentro deste turbilhão

Sofro de ansiedades grandes
e de grandes ansiedades
já tentei mudar de sitio
mas isto não é das cidades

Ou talvez tenha sido das cidades
dos seus vicios e costumes
Por favor diz-me o que achades
Se somos todos energumenos (energumes - que era assim que eu pensava que se escrevia)

Das trevas não me arrancarão
porque lá hei-de ficar
talvez por falta de compreensão
ou por algo que esteja a pagar

Não sou um Santo
eu fiz o meu quinhão de coisas más
qual não seria o meu espanto
se elas não ficassem todas para trás

Tomo comprimidos para isto e para aquilo
Até para dormir eu os tomo
Sei que estive á beira da loucura, mas não sentia isto
Dá vontade de voltar atrás e impedir que tudo isso aparecesse, mas o sol espelha prá frente, e com isto tudo fez-se

Canarinho que cantas belo
e és amarelo
come lá da minha mão
um bocadinho de farelo

Os pardais são bravos
não se deixam apanhar
de facto são como as mulheres
guardam uma certa distância para a gente não as agarrar

Alegria de casa e rosa
são dotadas de perfeição
Rosmaninho e bocas de lobo
todas me enchem o coração

Neste jardim pequeno
jaz a morte no cão
são as folhas de Inverno
que dão lugar ao Verão

Tenho dois gatos,
um é o Pandosga o outro o Xico
dou-lhes muitos miminhos
é por eles que eu sinto

Tantas bichas que não sei o nome
umas são carochas e formigas
outras de cascas grossas
são todas minhas amigas

Agora não mato nem um que seja
a não ser uma infestação
quero que a justiça seja feita
mas não pelas minhas próprias mãos

Pouso a lapiseira
verifico a lareira
Assomo-me à clareira
e como não uso cabeleira
Vou dar uma volta ao quintal

O vento sopra o vento ruge
de inicio mansinho, no fim urge

Aspergir as acepções dadas por uma certa pessoa
não é compreender o que ela diz, mas sim se é boa, feliz


Tentar ser
quando não se é
Tentar sentir
o que o sentimento é

Foi, sempre, e será sempre igual
beber uns copos
ouvir boa musica
neste momento especial

Azeitoa boa é a preta e a verde
aqui em casa come-se tudo
nada se perde